Crônicas: Relacionamento ‘Celso Roth’

Cá estou eu aqui ouvindo Dom Quixote. A voz de Humberto Gessinger me atrai ainda mais a cada verso. Na minha mente uma linha em especial ecoa sem parar. Duas na verdade, mas se for para escolher uma, que seja essa:

“Muito prazer, meu nome é otário/ Vindo de outros tempos mas sempre no horário”

Mas enfim, vamos ao que interessa. Eu já tive um relacionamento ‘Celso Roth’. Deixe-me explicar. O relacionamento Celso Roth se divide naquele amo e odeio ao mesmo tempo. Sentimentos se confundem, barreiras são passadas em questão de segundos. O amor é ao mesmo tempo ódio. A saudade da despedida se mistura ao ‘adeus’ aliviado. O remorso das atitudes passa automaticamente a vontade de ligar para a pessoa e pedir perdão, chorar, fazer as pazes e em seguida, brigar. É algo como, bater, expor o machucado, apenas para se sentir vivo. O relacionamento Celso Roth consiste basicamente nisso, idas e voltas, como as seguidas passagens pela dupla Gre-nal. O relacionamento com o clube, assim como um relacionamento amoroso, começa da melhor forma possível, apenas vitórias. É como a tal felicidade dos 6 meses, parece inacabável, indestrutível, mas uma hora isso acaba. Ela vem com as derrotas, com as brigas, com a indecisão do outro. A rota de colisão se dá pelo jeito grosso com que se trata o outro, com as cobranças em demasia e a dificuldade de lidar com o emocional do outro. É como um produto: tem prazo de validade. O fim é inevitável, apesar de ser prorrogado tantas vezes. Mas esse fim, nunca é um ponto final, ou não fica claro. De tempos em tempos, o seu amor está lá, de volta. O relacionamento Celso Roth é um vem e vai de emoções, as idas sempre bem aceitas, como se estivessem se livrando de um peso, afinal, o desgaste é muito grande. As vindas são cheias de pompas, como se tudo de negativo fosse esquecido. Tudo aquilo é repetido: o mar de rosas do início, que dá lugar as incertezas e a percepção de que isso já aconteceu, como um deja vu, e o fim iminente. Mesmo com as mudanças, com a modernização do técnico, do estilo mais passivo, do entendimento e melhor comunicação com a imprensa, tudo acaba quase sempre da mesma forma.

É como a linha de J. Cole em Loves Me Not: “It’s like she loves me/ She loves me /And then she loves me not”.

Ao ver o Grêmio bater o Cruzeiro na última rodada, relembrei da trajetória de Juarez. Odiado, amado, e aí novamente odiado, me trouxe à memória minha ex, com a qual tive um relacionamento à imagem de Roth. Felizmente, o visual da minha ex não lembrava em nada o técnico. Mas enquanto não temos um ponto final, ela diz adeus, eu dou bom dia, ela não me quer, mas um dia irá. Um dia voltaremos, para então o fim iminente, e continuaremos nesse ciclo, até que um dia as duas partes entendam e aceitem que não foram feitas para o outro, apesar de todos as vitórias.

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Publicado em Crônicas por Fred. Marque Link Permanente.

Sobre Fred

Rascunho de jornalista. Uma tentativa de desenhista nas horas vagas e cronista fracassado. Durante 4 anos venho escrevendo, apagando e refazendo textos na internet. Amante de boa música (em especial, Rap), futebol, cinema e tudo aquilo que me encanta. Colunista no Raplogia e no No Meio Da Área. Confira meu blog: http://continuumspace.blogspot.com.br/

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